14/10/2011

ET - Vinho Novo em Odres Velhos

Hoje, novamente no Cine Lupinha.

Filme de Hoje: ET - O Extraterrestre (ET - The Extraterrestrial, 1982, Steven Spielberg)


Trecho: "Aquele encontro entre dois seres que se sentem diminuídos diante de um mundo adulto e sisudo sempre se renova por que parece sempre se fortalecer quando o vemos novamente"

13/10/2011

Sorry About Colonialism - Gran Torino

Hoje é dia de Cine Lupinha também.

Filme de Hoje: Gran Torino (idem, 2009, Clint Eastwood)


Trecho: "Eastwood ousa muito pouco ao realizar um drama à moda antiga que tenta se retratar de uma culpa estadunidense diante das desgraças infringidas sobre outros povos, como manda os ‘ditames’ do Sorry About Colonialism"

Confiar e a Pedagogia Cultural



A Educação passou por diversos estágios e estudos ao longo de seu desenvolvimento teórico e prático, desde as experiências do condicionamento “estímulo-resposta” de Skinner, passando pelo socioconstrutivismo de Piaget ou Vygotsky, chegando à educação através das novas tecnologias de informação e comunicação.
            
Dentro desta última vertente, podemos encontra um ramo recente de estudos que mescla comunicação e educação, mas também os vieses tradicionalistas e progressistas de “ensinar e aprender”, chamado Pedagogia Cultural. Este campo de estudos pesquisa a respeito das possibilidades educativas das mídias de massa – leia-se televisão, rádio, propaganda, cinema etc. -, concebendo-as como veiculadoras de ideologias capazes de influenciar fortemente comportamentos, sentimentos e opiniões de seus usuários. Mas que relações podemos estabelecer entre este campo de estudos e o filme a ser resenhado? É simples.
            
Confiar (Trust, 2011, David Schwimmer) versa sobre Annie, uma adolescente de 14 anos e de familiar nuclear tradicional, que mantém contato na internet com um jovem de 16 anos, Charlie, conversando sobre as alegrias e frustrações que enfrenta em sua jornada familiar e escolar diariamente. Com o tempo, o rapaz começa a revelar que mentiu sobre sua idade – possui mais de 30, na realidade –, mostrando-se um predador sexual online depois que ambos marcam um encontro ao vivo. A partir deste fato, descortinam-se as misérias de um pai em busca de vingança e uma mãe que se culpa diante do esfacelamento de sua perfeita família.
            
Revelar estes detalhes do enredo não se mostra um spoiler muito disparatado, já que a construção previsível e a direção quase didática de Schwimmer não permitem vôos mais distantes do que a mensagem que desde o início se explicita no longa. De forma semelhante a A Vida de David Gale (2003), em que Alan Parker se valia do enredo para defender um posicionamento anti-pena de morte, Schwimmer parece se utilizar de um roteiro, escrito por Andy Bellin e Robert Festinger, que parece parte de uma campanha contra pedofilia na internet, algo como as novelas da Globo têm feito com maior freqüências nos últimos anos. O trio de protagonistas – Clive Owen, Catherine Keener e Liana Liberato – possui talento para tentar driblar estas armadilhas, mas parece tudo tão esquemático que se torna um trabalho hercúleo tentar oferecer um retrato menos óbvio destas personagens deste filme-denúncia.
            
Com um simplismo didático que beira o maniqueísmo deslavado, este filme não consegue dar conta de todas as contradições que o seu tema pode proporcionar, funcionando, de fato, como um recurso para “ensinar” comportamentos para seus espectadores, principalmente, as adolescentes expostas diariamente aos “males” das redes sociais. Não procuro aqui desmerecer a educação ou seus pressupostos, mas discordo explicitamente do fato de se empregar suas estratégias de maneira fragilizada, procurando "isentar" os espectadores da possibilidade de pensar por si mesmos sobre a temática desenvolvida no longa ao oferecer um discurso "pensado e mastigado" para que eles possam simplesmente digerir e reproduzir ad infinitum.

10/10/2011

Larry Crowne e o ser óbvio

Hoje é dia de Cine Lupinha.



Trecho: "Um dos maiores problemas do longa reside no roteiro frouxo e sem criatividade de Tom Hanks e Nia Vardalos, que, surpreendentemente, entregam os diálogos e situações mais óbvias que poderiam acontecer em um filme"

Apimentando a Comédia Romântica - Amizade Colorida



Todo ano temos nossa cota de comédias românticas para as moçoilas que querem se apaixonar pela enésima vez no cinema, desde Aconteceu Naquela Noite, passando por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, até chegar em 500 Dias com Ela. Por mais que os clichês sempre rondem este gênero, às vezes surge um filme que utiliza com tanta maestria os elementos clássicos deste filmes geralmente açucarados, raramente desesperançados.

Em Amizade Colorida (Friends With Benefits, 2011, Will Gluck), Dylan e Jamie rompem com seus respectivos namorados e passam a evitar relacionamentos até que se conhecem por uma oportunidade de trabalho: Jamie é uma caçadora de talentos que, a serviço da revista GQ, recruta Dylan para fazer parte do expediente do periódico como diretor de arte. Quando a amizade entre ambos cresce, surge, então, a proposta indecente: que tal dar um passo a mais no relacionamento e virar fuck buddies, ou seja, sexo sem nenhum compromisso amoroso?

Claro que ambos aceitam a empreitada e não precisa ser vidente para saber como se desenrolará a trama nem seu desfecho, mas o que surpreende e conquista o espectador são os divertidos e rápidos diálogos criados pela trinca Keith Merryman, David A. Newman e Will Gluck. Oriundos da televisão, os roteiristas oferecem ao roteiro uma velocidade incomum para as comédias românticas, além de uma quantidade grande de situações e piadas que surgem da boca dos protagonistas. Gluck, como diretor, consegue focar na química entre os dois protagonistas – Mila Kunis e Justin Timberlake -, trazendo alguns coadjuvantes de luxo – Patricia Clarkson, Woody Harrelson, Jenna Elfman e Richard Jenkins - que, se não fazem muita diferença no enredo, pouco atrapalham seu desenvolver.

Mesmo que não seja uma revolução alleniana ou kaufmaniana no gênero, é inegável o prazer de encontrar vida inteligente por trás de um gênero já desgastado pelas Roberts, Ryans, Stiles e Heigls da vida.

Premonição 5 e as Narrativas Seriadas




As narrativas seriadas fazem sucesso desde o início dos folhetins e cinejornais que, alimentando as expectativas do público com dramaticidade e tensão, procuravam mantê-lo imerso em uma narrativa que apresentava elementos quase sempre reconhecíveis na história contada. Como já foi dito na resenha de Os Smurfs(The Smurfs, 2011, Raja Gosnell), vivemos em uma Cultura do Remix, ou seja, em que estamos procurando sempre aspectos familiares em todos os produtos que consumimos.

Em Premonição 5 (Final Destination 5, 2011, Steve Quale), encontramos exatamente a mesma história em cada um dos filmes, diferindo somente os protagonistas e os espaços onde a ação se desenrola: um(a) jovem viaja para algum lugar com um grupo de pessoas, tem uma visão premonitória em que todos morrem e traz um grupo de pessoas junto com ele. Estas pessoas, depois de terem ‘enganado a Morte’, começam a ser mortas uma a uma das maneiras mais absurdas através de estranhas coincidências. Se, no primeiro filme, a novidade fez seu sucesso, a partir do segundo, a fórmula já havia estabelecido e só fez descer ladeira abaixo. Neste quinto, um elemento interessante oferece um renovo para a desgatada narrativa: o humor.

O roteiro de Eric Heisserer, despontando no ramo do terror, traz um certo humor negro em alguns momentos, pois seus personagens parecem se divertir com a situação em que se encontram e não se podam em nos ‘torturar’ com a tensão de nossa expectativa em saber como vai acontecer a morte de cada um dos personagens. E quanto a Steve Quale, pupilo de James Cameron, não se intimidou de seguir os passos do mestre e tornou o filme uma experiência divertida, ainda que descartável. Entendeu que, para gerar identificação com as personagens, não precisava mostrar sempre eles sofrendo com sua condição, mas o ridículo também teria seu espaço. Quanto ao elenco, todos eles conseguem dar conta do recado, criando personagens que, se não são inesquecíveis, conseguem marcar pelo tempo do filme. Mas os elementos que chamam realmente a atenção são as cenas de ação e suspense – como a destruição da ponte em obras e as primeiras mortes, assim como a reviravolta final.

Premonição 5 funciona por ter consciência de não precisar se levar a sério e por se fazer sempre reconhecível pelos elementos que o consagraram, como as várias narrativas seriadas com que nos deparamos ao longo de nossa jornada audiovisual, repetindo o mesmo discurso: ninguém MESMO engana a Morte. 

02/10/2011

O humor do/com/para o Outro - Alô, Alô Terezinha



O que é ser engraçado? De onde vem a sensação o que me conduz ao riso? Por que sinto a necessidade de rir de determinadas pessoas ou situações? De onde vem meu senso de humor? Onde preciso começar e terminar meus momentos de seriedade e irreverência? Ao transferir esses questionamentos para a forma como observamos o outro, pensamos em uma questão essencial para embarcar em uma sessão do longa a ser resenhado: o que acho engraçado no outro?

Alô, Alô Terezinha (idem, 2008, Nelson Honieff) conduz o espectador pelos diversos personagens que passaram pelos programas Discoteca / Buzina / Cassino do Chacrinha: as sensuais e alegres chacretes, os elogiados ou ‘buzinados’ caloruos, além dos cantores que ascenderam graças ao apelo popular e carnavalesco do comunicador que fez história na televisão brasileira. Ou seja, são pessoas famosas como Rita Cadillac, Biafra, Beth Carvalho e Alcione, ex-famosos como Loira Sinistra e Índia Poti, mas também os anônimos Manoel de Jesus e Abacaxi oferecendo depoimentos sensíveis e, às vezes, esculachados não somente sobre Chacrinha, mas também sobre as situações que viveram durante o tempo em que participaram de seu programa e como vivem nos dias de hoje.

Desde as cenas iniciais, percebemos que Hoineff constrói um documentário pouco convencional, ao expor seus personagens ao ridículo constantemente, explorando seus vexames e contradições diante das câmeras, tornando-a praticamente sua melhor testemunha. Em sua montagem mordaz e cruel, ele utiliza cenas que deram errado – como uma Elba Ramalho que esquece a letra da música que cantava ou um Biafra atingido por uma asa delta -, personagens em situações constrangedoras – como o ex-calouro Abacaxi cantando ensandecido no meio da rua ou uma ex-chacrete nua posando em um chafariz – e depoimentos contraditórios – como as diversas falas sobre os affairs que o comunicador mantinha com as dançarinas ou, principalmente, seu “Rosebud” particular “Quem é Terezinha?” – para desconstruir com todas as bases ‘éticas’ dos documentários convencionais.

Ao fazê-lo, Hoineff utiliza-se de um humor escrachado e despretendido que atende os pressupostos que regiam o próprio estilo de Chacrinha: o caos, o imprevisível, a inversão de expectativas. Nessa perspectiva, ele trata a vida como um grande programa de auditório carnavalesco, ou seja, uma grande festa onde vale somente se divertir com o grotesco, o excêntrico que o Outro representa. Se Hoineff foi antiético, preconceituoso e desrespeitoso, digo que ‘sim, um pouco’, entretanto, estaria mentindo se lhes dissesse que ele não me fez rir com as incoerências e pateticidades de suas personagens. Assim somos nós: rimos daquilo que reconhecemos tão ridículo em nós mesmos.

Detroit Rock City e a idolatria nossa de cada dia



O ser humano, em suas sensações de inferioridade, cria ou adora mitos que o conduzam a algum estado de êxtase superior ao cotidiano banal e prosaico com que precisa lidar. Se, na Antiguidade e Idade Média, emergiam os diversos deuses da Mesopotâmia e Egito, passando pelo Deus do cristianismo, pelo Alá do Islamismo, chegamos, a partir da Idade Moderna, ao homem que enfatiza o olhar para si mesmo, para o “deus” dentro de si mesmo, em sua racionalidade. A famigerada Pós-Modernidade, entretanto, começa a propagar a descrença em possíveis valores absolutos, como Razão, Fé ou qualquer coisa do gênero. Quem são, portanto, os novos mitos que adoramos? Os pop-rock-disco-reggae...stars, as celebridades instantâneas, e, em tempos de Youtube, Facebook e similares, A VIDA ALHEIA.
                
A partir deste preâmbulo, não fica muito difícil perceber o subtexto presente em Detroit Rock City (idem, Adam Rifkin, 1999), uma comédia absurda e divertidíssima que versa sobre quatro jovens no final de sua adolescência que, em sua veneração inabalável pelo grupo KISS, parte para Detroit para assistir aquele que seria o show de suas vidas. Os quatro jovens, em suas personalidades distintas, se complementam e se ajudam nas encrencas em que se metem ao longo da jornada: enquanto Jam chega mais perto de ser nosso protagonista ao ter seu sofrimento em não conseguir enfrentar sua mãe católica ortodoxa e fumante compulsiva mais destrinchado, os outros se dividem entre o desprendido e revoltado Hawk, o lerdo Trip e o nice-guy Lex. Cada um, a seu modo, procura encarar os preconceitos com aqueles que não entendem seus sentimentos em relação ao grupo de roqueiros conhecidos como demônios, bichas, baderneiros, dentre outras nomenclaturas pouco elogiosas.

Dentre as inúmeras personagens e situações arquitetadas pelo roteirista Carl V. Dupré – conhecido por filmes B de terror, experiência utilizada em determinada sequências do longa -, Rifkin usa sua versatilidade como ator, escritor e produtor para dirigir um longa com uma velocidade e uma qualidade pop bem MTV. Ou seja, a direção atualiza as conquistas da geração do final dos 70 para um novo público ao trazer numa linguagem juvenil e dinâmica ícones da época como Burt Reynolds, As Panteras, MAD Magazine, Star Wars e outros que fizeram a cabeça de seus pais. A linguagem de desenho animado nonsense faz a festa com um maniqueísmo alucinado e, às vezes, expressionista proporcionam o ponto de vista dos jovens sobre suas próprias descobertas e sensações do que significava ‘ser jovem nos anos 70’.

Com personagens cativantes e divertidos envoltos em uma trama cheia de peripécias e absurdos, Detroit rock City é uma boa pedida para um sábado à noite regado a muito rock setentista para reviver uma época. Se o homem um dia foi chamado de servo, fiel, adorador de seus deuses, hoje, ele encara uma nova nomenclatura diante de seus deuses: fã.

30/09/2011

Premonição 2 e os dejavus das franquias

Hoje, postando a pedido do Cine Lupinha.

Filme de Hoje: Premonição 2 (Final Destination 2, 2003, David R. Ellis)


Trecho: "Bastou dar um Ctrl+L no roteiro do primeiro filme e substituir o nome dos personagens e temos uma receita para fazer um filme onde só importa as mortes criativas e a espetacular explosão que inicia o filme."

10/09/2011

A tragédia da consciência: Planeta dos Macacos – A Origem



“Minha natureza simiesca passou a afastar-se de mim a olhos vistos, tão depressa que meu primeiro treinador é que quase se transformou num macaco” (Franz Kafka)

Em seu famoso conto Comunicação a uma academia, Franz Kafka utiliza-se da história de um macaco que relata aos estudiosos presentes em sua palestra o processo de hominização que terminou atravessando desde que foi capturado pelo seres humanos. Com certo tom de melancolia, o macaco nos faz perceber quão nociva pode ser a consciência a respeito de nossa condição humana predadora e desnudante.

No longa O Planeta dos Macacos – A Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011, Rupert Wyatt), vemos um pouco dessa discussão da relação homem-primata com o seguinte enredo: Will Rodman procura financiamento para sua pesquisa da cura do Mal de Alzheimer, que pode ser viabilizada através de um remédio testado em chimpanzés. Estes passam a desenvolver uma inteligência fora do convencional depois que passam por estes testes com protótipos do medicamento, sendo um deles César, chimpanzé adotado por Will depois da morte da mãe do símio no laboratório. Com o tempo, o primata começa a tomar consciência de sua condição e a se inconformar com o tratamento que os humanos infringem sobre ele e os outros macacos, levando-o à revolução.

Com um roteiro que destrincha sem pressa a ascensão de César, Wyatt oferece espaço para destacar o trabalho de Andy Serkis como o símio, enfatizando a tragédia de se ter a consciência das misérias que o cercam. Enquanto o excelente trabalho de Serkis rouba a cena, James Franco equilibra a dose com a concepção de um cientista obstinado pelo seu trabalho, mas que o realiza pela paixão de ver a solução de um problema próximo a si – no caso, a doença degenerativa que acomete seu pai, interpretado por um John Lithgow correto. Além deles, observa-se uma Freida Pinto ser subutilizada como par romântico e “voz da consciência” de Will em certos momentos e David Oyelowo relegado ao estereótipo do chefe interessado somente no dinheiro da empresa, um dos clichês mais batidos da história. 

Entretanto, ao observar os elementos técnicos usados por Wyatt no longa, ressalta-se os efeitos especiais que transformaram os movimentos de Serkis no símio e uma montagem fluida que investe na identificação do público com o protagonista e, em sua parte final, nos cortes abruptos típicos do gênero de ação. Patrick Doyle compõe uma trilha sonora adequada, mas não memorável e Andrew Lesnie investe em uma fotografia que realça os tons frios e acinzentados típicos da ficção científica, deixando as cores para os momentos mais emocionais do longa. Em suma, o longa de Wyatt oferece novo fôlego para a franquia dos macacos que dominam a Terra, pois investe no elemento fundamental de qualquer história: seus personagens.

Focando na inevitabilidade das consequências que este “abrir de olhos” pode proporcionar, Wyatt aposta na velha fórmula do “ciência – consciência = perigo” para oferecer um pouco mais - mas não muito - do que entretenimento escapista, mas uma tentativa de trazer certa reflexão sobre as virtudes e os infortúnios do conhecimento.

Os Smurfs e a Cultura do Remix




Dentro da chamada Cultura do Remix, percebe-se que a maioria dos produtos audiovisuais concebidos para cinema são baseados em materiais criados originalmente para outras mídias – vide Piratas do Caribe, Nine ou os recentes Thor e Lanterna Verde, dentre outros. Como fruto dessa cultura, vemos o surgimento do longa do desenho animado que veio dos quadrinhos dos anos 50 Os Smurfs, que fez bastante sucesso no Brasil na década de 80, que, neste ano, se transformou em filme.

Nos primeiros minutos de Os Smurfs (The Smurfs, 2011, Raja Gosnell), percebe-se o quanto os longas criados para o público infantil evoluíram nas últimas décadas, visto que a sofisticação e a criatividade presente em filmes como Os Incríveis, Wall-E, A Viagem de Chihiro,  Shrek e outros simplesmente desaparece com o enredo mais do que ultrapassado deste longa meio preguiçoso e antiquado. A trama reside no seguinte: os Smurfs, ao fugir de mais uma investida de Gargamel – interpretado por um Hank Azaria querendo pagar as contas – e Azrael, terminam por parar na cidade grande – no caso, a óbvia Nova York -, onde passam poucas e boas até que consigam voltar para casa.

O clima despreocupado e simplório toma conta de todo o longa, desde o roteiro às interpretações, salvando-se somente a técnica de animação, que mostra a que veio, ao adequar os pequenos seres ao universo dos humanos com destreza. Aos adultos, resta somente perceber algumas brincadeiras visuais com o Blue Man Group, Blu-Ray Disc ou Bluetooth, o que não é grande coisa para quem cresceu com esses seres azuis e esperava bem mais do filme.

Professora Sem Classe e o Ser/Estar Incorreto



Durante nossa infância, procuramos modelos em que nos espelhar a fim de sermos adultos saudáveis e exemplares uns para os outros. Se, durante muito tempo, nossa sociedade relegou à religião a concepção de mitos que funcionariam como exemplos de dedicação, subserviência e amabilidade, como Jesus Cristo, Buda ou Maomé, a contemporaneidade transfere esse status de ‘ícones’ para pessoas ditas ‘públicas’: artistas, políticos e, em menor escala, os educadores – se considerarmos a conservadora sociedade norte-americana -, o que nos conduz ao longa a ser analisado.

Professora Sem Classe (Bad Teacher, 2011, Jake Kasdan) versa sobre Elizabeth Halsey, uma professora de ensino fundamental que, numa das primeiras cenas do longa, pede demissão para ser sustentada pelo namorado rico, com quem está prestes a se casar. Mas, tempos depois, uma travessura do destino tira-lhe a oportunidade de tomar proveito das riquezas de seu fiancée. Ela termina, então, precisando voltar a lecionar para conseguir o dinheiro necessário para fazer o implante de silicone que lhe proporcionará seu próximo marido rico. Durante sue empreitada, passa os dias embriagada, fazendo seus alunos assistirem a filmes ao invés de dar aula, dá em cima de Scott, o bondoso professor de família rica, e infernizando a vida de sua serelepe rival Amy.

Trabalhando com um amor menos inocente do que se esperaria de um filme estrelado Cameron Diaz, Kasdan coloca a sala de aula em segundo plano para desenvolver a personalidade de sua protagonista independente do espaço onde esteja. Dessa forma, torna-a mais viva para o espectador, ainda que sua previsível redenção surja de maneira óbvia e apressada, mas nunca melodramática. Investindo num elenco descolado, Diaz se diverte com os palavrões e o cinismo de sua Elizabeth, enquanto que Jason Segel compõe o professor que se engraça por ela, mas que não a endeusa e Justin Timberlake desaparece um pouco com sua embalagem de cantor pop para tentar compor a timidez e a excentricidade de seu Scott. Com um discurso semelhante ao imensamente superior Papai Noel às Avessas, este longa não passa de um passatempo mais sacana do que as comédias açucaradas convencionais, servindo talvez como uma resposta às comédias ‘masculinas’- vide Se Beber, Não Case - que tem surgido nos últimos anos.

07/09/2011

Pacific - Sorria, você está se filmando.

Postando no Cine Lupinha.

Filme de Hoje: Pacific (idem, 2011, Marcelo Pedroso)



Trecho: "Nesse reality show concebido e registrado por nós mesmos, retornamos ao cinema dos Lumière ao encontrar diversas narrativas conduzidas por personagens anônimos e, por vezes, nada memoráveis, tornando esta experiência quase um dejá vu de nossa própria existência."



Melancolia - Pós-Trans-Oni-Anti-Ciência?

Postando hoje no Cine Lupinha.


Filme de Hoje: Melancolia (Melancholia, 2011, Lars Von Trier)



Trecho: "Rico em simbolismos, Von Trier incomoda e extasia seu público ao fazê-lo experienciar um Apocalipse ainda mais tenebroso do que aquele revelado nas profecias do apóstolo: dentro de nós mesmos, ocultamos um intenso esvaziamento que será suprido somente quando retornarmos para dentro da terra que nos expeliu para uma existência errante e distópica"




30/07/2011

Jogada de Risco – Prefácio de um Cineasta

Hoje, postei no Cine Lupinha.

Filme de Hoje: Jogada de Risco (Hard Eight / Sydney, 1996, Paul Thomas Anderson)




Trecho: "Ao analisar seu primeiro longa-metragem, percebe-se claramente alguns dos elementos que o consagraram: as elegantes e dinâmicas movimentações de câmera e a construção ou dissolução de relacionamentos familiares - geralmente, paternais - de maneira insuspeita"