10/10/2011
Premonição 5 e as Narrativas Seriadas
30/09/2011
Premonição 2 e os dejavus das franquias
Filme de Hoje: Premonição 2 (Final Destination 2, 2003, David R. Ellis)
21/04/2011
Pânico 4 e o cinema como um evento



Retornando à cidade natal anos depois dos massacres registrados no último longa, Sidney Prescott está lançando um livro que não somente conta a história pela qual passou, mas que também tem servido de inspiração para outras pessoas superarem dramas semelhantes (?), se é que existe essa possibilidade. Enquanto isso, Dewey ainda permanece como o xerife da cidade onde não acontece nada de extravagante para sua esposa, Gale Weathers, vasculhar com seu instinto jornalístico – todos os três meio perdidos na profusão de astros em participações especiais, como Kristen Bell, Hayden Panettiere, Rory Culkin, Anna Paquin e Marley Shelton. Mas todos os furos no enredo e as fracas interpretações pouco importam quando, na realidade, reside na experiência cinematográfica de retornar à época em que se via a renovação deste gênero pelas mãos de Kevin Williamson – roteirista deste e de outros filmes que iam na mesma esteira, como Eu sei o que vocês fizeram no verão passado e Prova Final, assim como do seriado adolescente Dawson’s Creek - a sua maior qualidade.
Se, desde seu prólogo, o filme aposta na esperteza ao se deixar levar pela metalinguagem deslavada, referenciando não somente os filmes de terror, mas também as mudanças que a trilogia original proporcionou, o realiza na intenção de restabelecer as regras de um jogo conhecido pelos seus jogadores, mas, desta vez, investindo mais ainda na diversão do processo do que o resultado. Mesmo que os clichês de uma época se avolumem a cada fotograma e possamos, ao longo da narrativa, perceber o quanto amadurecemos e nos sofisticamos nessa última década, certamente a sensação mais agradável durante uma sessão do longa reside em perceber que seus realizadores não são somente fãs dos filmes de terror adolescentes, mas fãs da própria trilogia Pânico.
Certamente, eles pensaram na experiência de estar em um multiplex cheio de ex-adolescentes nos seus vinte e poucos anos, gritando, rindo e se emocionando com suas lembranças, uma geração que, enquanto rememora o quanto se divertia anos atrás, também percebe como tem se levado a sério demais em alguns momentos.
10/02/2011
O Pesadelo da Perfeição - Cisne Negro
14/12/2010
Alienação e Genocídio em A Epidemia



Como uma refilmagem de um clássico de George Romero – O Exército do Extermínio, 1973 -, A Epidemia (The Crazies, 2010) atualiza o visual de uma história que, mesmo superficial, termina rendendo uma experiência intensa na sala escura.
Durante a primavera de uma tranquila cidade do interior, os moradores misteriosamente tornam-se pessoas silenciosas e extremamente agressivas, algo provocado por substâncias químicas no abastecimento de água do local. O casal David (Timothy Olyphant) e Judy (Radha Mitchell) se vêem cercados por aqueles que um dia já foram seus vizinhos e amigos, mas agora vagam pela cidade com um único objetivo em mente: matar. Sem os tradicionais dez minutos destinados à apresentação da situação dramática de suas personagens, o longa traz o espectador direto para a ação, quando, num jogo de baseball, um dos moradores ameaça David com uma espingarda, sendo morto pelo mesmo em seguida. Com o passar do tempo, os ataques começam a se intensificar até se descontrolar completamente, onde nenhum dos integrantes da equipe de resgate tem a confiança do espectador.
Mergulhando abruptamente na história sem preparação, os espectadores são lançados em uma teia onde o desconhecido e o inesperado predominam, ainda que permeado por sustos óbvios, onde o realista e o sobrenatural estão sempre à espreita. Com um roteiro simples, sua composição trata o ataque súbito daqueles moradores como uma metáfora ao genocídio e à violência de uma maneira geral, concebendo-a como algo sem sentido que, por motivo algum, domina aquelas personagens.
Questionando os limites entre a violência protetora e a destrutiva, seu diretor constrói um longa superficial, mas intenso, que ainda reserva ao espectador um ar de ironia ao seu final, compondo um painel de alienação ao redor dos acontecimentos trágicos da cidade.
23/02/2010
O Lobisomem: Sessão fraca, mas já esperada


20/09/2009
Anticristo: um filme de sensações



Hermético. Intrincado. Uma sensação de vazio acompanha o espectador ansioso por uma catarse numa sessão de Anticristo, mas dificilmente o deixará incólume diante de momentos tão constrangedores e irracionais como os construídos pelo diretor. Oscilando entre cenas belíssimas e deprimentes, Von Trier arquiteta e executa um longa que, na verdade, promete mais do que cumpre, pois o diretor se mostra tão pretensioso em suas colocações que se torna maçante. em certo momento. Ao jogar atores e público diante de cenas de violência e sexualidade extremas, o autor ignora o potencial da palavra - ou sua ausência -, investindo na ação e no gesto, o que, em certos momentos, torna seu espetáculo gratuito. A profundidade do não-dito parece estar sempre à espreita, sem se desenvolver, trazendo ao espectador essa sensação de vazio, de incompletude: não necessariamente almejando um meio e um final destrinchados, mas com uma curva dramática que justifique os atos tão extremos propostos pelo cineasta.
O espectador, ao fim da sessão, talvez espere saber em que papel o autor se encontra: na mente do homem arrogante e extremamente racional ou no corpo da mulher sentimental e, aparentemente, irracional. A dúvida da investigação permanece. pois talvez seja no meio dessa luta que Von Trier deseje se encontrar: nas sensações pueris ainda ingênuas daquela criança que padece logo na primeira cena. A sensação da queda, da perda conduz o espectador a um oceano de angústia e desespero. Mas, neste universo tempestuoso, não existem soluções fáceis ou somos nós que não conseguimos encontrar o caminho? Precisamos senti-lo ou racionalizá-lo? Humanos que somos, caminharemos sempre escolhendo entre um e outro, tentando nos equilibrar diante de uma natureza que parece sempre nos pedir o contrário.




