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26/02/2012

Tudo pelo Poder - Um estudo de personagem




Desde os primeiros minutos de Tudo pelo Poder (The Ides of March, 2011, George Clooney), sabemos que se trata de um filme sobre os bastidores da política, mais especificamente, sobre as eleições primárias entre dois candidatos, Morris e Pullman. Como não sou uma pessoa tão conectada à política, sempre fico meio pé atrás com enredos políticos, pois sempre acho que não entenderei nada do que estarei assistindo, mas interessante é perceber uma dúvida: não sei se fui eu que amadureci ou se Clooney conseguiu tornar os jogos políticos mais claros, por que Clooney trata tudo de maneira muito objetiva e clara.

Desde que começou a dirigir, Clooney sempre toma atitudes bastante sábias, mas uma delas sempre foi essencial: ele sempre soube escolher elenco e soube conduzi-lo da maneiras mais natural e humana, enquanto que escolhe os roteiros menos óbvios, geralmente optando pelo estudo de personagens. Foi assim com Confissões de uma mente perigosa, com Boa Noite e Boa Sorte e acontece nesse Tudo pelo Poder, ainda que em uma escala menor que seus longas anteriores. O roteiro tem diálogos excelentes e uma trama que se configura como um estudo contemporâneo sobre a lealdade – ou a ausência dela.

O grande trunfo do filme tem nome e sobrenome: Ryan Gosling, que, assim como Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman, não surpreende mais o espectador. Sempre que vemos seu nome no cartaz, temos a certeza de encontrar uma atuação excelente, independente do tamanho do papel que interpretar. E ele consegue ser um personagem que nos cativa desde o primeiro momento - esperto, inteligente e talentoso -, o que dá  a Clooney a ferramenta ideal para transformar o personagem no que quiser e fazer com que espumemos de ódio ou pena, e, ainda assim, trate esse trajetória com coerência.

A Dama de Ferro - O que é dirigir um filme?


Depois de assistir a esse filme, tive sérias dúvidas sobre o que seria dirigir um filme, sobre que tipo de experiência um diretor deseja proporcionar àqueles que estão na tela: se seria tensão ou incômodo para alguns ou alegria e superação para outros. No caso deste A Dama de Ferro (The Iron Lady, 2011), saí completamente esvaziado. Sim, não consegui ter qualquer experiência agradável ou desagradável diante das intermináveis duas horas de projeção, além de perceber o quanto Meryl Streep esforçava-se para trazer verdade para todos os clichês motivacionais que o roteiro e a direção esforçavam-se por destilar a cada frame.

Mesclando passado e presente, a trama versa sobre a ex-Primeira Ministra da Inglaterra, Margareth Thatcher, sua ascensão, anos de governo e decadência pós-governo, focando basicamente na frustração da senhora em se sentir inútil diante da velhice. Entretanto, a experiência torna-se pavorosa por que tanto roteiro como direção são ineficientes em dinamizar ou trazer qualquer arco dramático para a narrativa de Thatcher, que tanto potencial tinha para render um bom filme. Com enquadramentos e montagem equivocados, Lloyd só não consegue fazer deste filme um erro completo por que tem como trunfo a dama de Streep enchendo a tela de força e frustração em suas duas fases.

Com certeza, faltou à diretora impregnar-se dessa história e saber como transmiti-la para o público. A dama de ferro ainda nos deve um filme à altura de sua grandiosidade.