

Ritmo, beleza e música. Uma celebração dos nossos ritmos, dos nossos corações, de como podemos seguir por tantos descaminhos até encontrar um destino que nos satisfaça. As desilusões surgem talvez para testar nossa persistência e capacidade de merecer essa recompensa no desfecho. A emancipação feminina já ganhou inúmeros olhares ao longo dos anos, mas Jane Austen é sempre bem-vinda, ainda mais quando tão bem traduzida nas imagens de Joe Wright para o longa Orgulho e Preconceito, conseguindo renovar a crença no amor, sem apelar para diálogos e cenas melodramáticos excessivamente, mas com a sinceridade e a veemência de seu elenco.
O longa mostra os jogos de amor e interesse numa Inglaterra ainda condenada à decadência de sua nobreza, sendo a única salvação para tais situações o casamento arranjado no interesse econômico. Nossa protagonista, Elizabeth, no entanto, batalha contra as convenções e decide se casar por quem se encontrar apaixonada. Entre as idas e vindas, sabemos desde o início seu desfecho, mas o que importa é o desenrolar da trama e maneira como a direção discreta de Wright permite que as verdades contidas no romance apareçam naturalmente.
Sem tentativas de atualizar desnecessariamente a trama ou de olhar cinicamente os sentimentos expostos através de suas personagens, Wright consegue entregar um longa digno e forte - principalmente devido à escolha de sua protagonista, que, mesmo que não supere as expectativas, traz um frescor ao material humano de Austen. Alguns poderiam criticá-lo por não investir em um discurso próprio através das imagens capturadas e sua montagem, mas Wright se entrega de fato à sua habilidade: o contar histórias de maneira sincera e simples.