Mostrando postagens com marcador guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerra. Mostrar todas as postagens

23/02/2010

Guerra ao Terror: Guerra ao Próximo?



Incrível como uma diretora consegue obter um olhar tão perspicaz sobre o universo masculino da competição, da resolução das diferenças e do ocultamento de sentimentos como afeição e perdão. Guerra ao Terror retrata com tintas escaldantes a rotina exaustiva física e psicologicamente dos soldados responsáveis pelo desarmamento de bombas abandonadas em pontos das cidades em guerra.


Tendo como protagonistas William James, responsável pelo desarmamento, e os soldados Sanborn e Eldridge, o roteiro desconstrói o universo da guerra para oferecer ao espectador um cenário para tratar sobre tolerância, diferenças, afeição, perdão como elementos essenciais de uma dinâmica do conflito: conflitos entre James e Sanborn, de Eldridge com ele mesmo, de todos contra todos. Todos somos bombas espalhadas pelo mundo, onde, mexendo nos fios errados, podemos causar estragos a nós mesmos e aos próximos. Como estes soldados conseguem resolver, mesmo violentamente, seus conflitos e nações inteiras não o fazem? Por que temos tanto temor em oferecer a outra face?


Bigelow compõe este mundo rústico e patriarcal e traz ao espectador um roteiro que supera os mais diversos clichês dos filmes de guerra: as esposas ansiosas recebem ligações angustiadas dos soldados, os ideais de honra e coragem dão lugar ao conflito e intolerância dentro do próprio pelotão. A cineasta compreende a covardia como parte daquele universo: matar James seria uma solução fácil para Sanborn ao invés de resolver seu conflito de maneira direta, assim como seria simples para o psicólogo falar a Eldridge sobre viver em guerra sem tê-lo feito um dia da sua vida. Vive-se uma guerra distante espaço e temporalmente, mas esquece-se de um conflito bem mais nocivo: com o próximo.

19/11/2009

O "e se..." de Bastardos Inglórios e a autoria da História


Em tempos em que a relevância do cinema se "testa" por sua verossimilhança e "aplicalibilidade" na formação de um discurso ou na forte inserção na realidade, Tarantino nos entrega uma obra ousada e cria um universo paralelo no seu Bastardos Inglórios.

Brad Pitt une-se a outros soldados judeus, formando a equipe dos Bastardos, cuja missão residia no extermínio do maior número possível de nazistas que poderiam encontrar, almejando, acima de tudo, a morte do Führer. A Operação Kino envolve a destruição dos mais famigerados nazistas em uma cinema onde será exibido um filme que exalta a figura de um herói de guerra alemão - Fredrik Zoller -, chamado "O Orgulho da Nação". Contudo, os planos mudam quando o rapaz decide levar a premiére do filme para um cinema menor, pois se encontra afeiçoado a Shosana, proprietária do local, desconhecendo sua origem judia.


Mesmo que não encontre a mesma conexão emocional que outrora o ligaria a personagens como Mia Wallace, Vicent Vega, Jules e Butch, o espectador acompanha o longa, percebendo o detalhismo de Tarantino na construção de diálogos e sequências marcantes. Contudo, somente ao final da narrativa, o público se apercebe de sua inserção em um universo paralelo quando um destino alternativo pinça a vida de Herr Hitler, fazendo com que o espectador vibre por compreender a quebra da lógica da representação. Tarantino não se preocupa com a adequação do seu filme nos livros de História ou em questionar possíveis lacunas nos autos onde se registram os fatos, mas em refazer a História à sua própria maneira. Assume o SEU próprio ponto de vista: não de como as coisas aconteceram ou acontecem, mas como PODERIAM ter acontecido se ele fosse O Criador. Numa época em que a autoria reside em expressar um modo de ver fatos e pessoas, o diretor reescreve-os a sel bel-prazer, convidando o espectador a fazê-lo. Mas também ao seu PRÓPRIO modo.

26/02/2009

Trovão Tropical e a sátira sem besteirol


Trovão Tropical, novo longa de Ben Stiller - uma paródia tanto aos filmes de guerra quanto à indústria do cinema blockbuster - opta por deixar de lado piadas mais óbvias, tendo como objetivo uma sátira mais corajosa aos produtores, agentes, astros e clichês de cinema que infestam a indústria do entretenimento.

O elenco reúne: Ben Stiller, que interpreta um astro que tem dificuldade em se envolver emocionalmente nas cenas e termina entrando numa jornada de aprendizado da arte da interpretação quando entra numa guerra verdadeira; Robert Downey Jr., que traz a personagem mais interessante do longa, um ator que sempre passa por mudanças drásticas fisicamente para os papéis que escolhe e perde, aos poucos, a noção de seu próprio corpo e alma, mantendo o personagem ao longo de toda a filmagem; Jack Black, cuja personagem explora o niilismo e a loucura da situação de guerrilha e os vícios que surgem em consequência destes. Além destes, temos participações de Tom Cruise - como o produtor do longa - e Matthew McConaghey - como o agente do personagem de Stiller.

Tendo como mote uma proposta inteligente - a filmagem de um longa de guerra com os atores vivenciando uma situação de guerrilha real, mas que foge ao controle dos produtores e atores, gerando efeitos nunca imaginados, como no famigerado A Bruxa de Blair -, o longa consegue se sustentar como uma sátira sem apelar para o besteirol, mas para os exageros típicos de uma comédia farsesca como a que se propõe ser.