Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

10/07/2011

A Garota da Capa Vermelha ou Como ‘Crepuscularizar’ Um Filme?



Nessa onda de remixar narrativas antigas, um dos maiores sucessos dos últimos anos - Crepúsculo - parece povoar o inconsciente de todo filme juvenil que invista em triângulos amorosos com seres sobrenaturais. Depois da fase vampiresca, parece que estamos adentrando na fase lobisomem, com A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood, 2011, Catherine Hardwicke) recontando a história de Chapeuzinho Vermelho com um ar mais juvenil, dark e lascivo para o conto da menina que precisa aprender a lidar com situações inesperadas em sua cidade com a invasão de um lobo em sua cidade.

Valerie (Amanda Seyfried) enrosca-se em um romance com Peter, seu amigo de infância, ao mesmo tempo em que o vilarejo em que habita começa a sofrer os ataques de um lobo que atacou e matou sua irmã, além de ser prometida em casamento a Henry, o objeto de desejo de sua falecida irmã. Ao longo da narrativa, entra-se num jogo de gato e rato, em que todos são suspeitos de serem o criminoso da vez, com reviravoltas que surpreendem os espectadores mais impressionáveis.

Hardwicke, no entanto, investe em um triângulo amoroso sem graça e previsível a fim de despistar o espectador, que, ao saber de antemão o final da história, termina por tentar se divertir em descobrir a identidade do Lobo ou rir da presença exagerada de Gary Oldman como Padre Solomon, que chega à cidade para exterminar o animal assassino. Por mais que o design de produção e a fotografia de Hardwicke acertem o tom dark juvenil para trazer vida para essa nova versão, faltou um pouco mais de cuidado e esforço ao tentar reescrever a matriz.

18/04/2009

Os silêncios de King Kong


Amor. Que limites ele poderia transgredir? Da classe? Da idade? Da raça? Do gênero? Na aventura romântico-fantástica King Kong, Peter Jackson o faz ultrapassar a barreira da própria espécie, trazendo a afeição de uma mulher por um primata gigante.

Em viagem a uma ilha que guarda os mistérios da civilização humana e mantém criaturas como dinossauros e insetos gigantes, Jack Driscoll, Ann Darrow e Carl Denham planejam montar um longa-metragem de aventura, tendo como vilão o gorila de sete metros de altura. Inicialmente temerosa pela perigo que corre - principalmente, por ser utilizada como oferenda em sacrifício ao Kong pelos nativos da ilha -, Darrow, surpreendendo a si mesma, se afeiçoa ao cultuado animal. Aprende a enxergar por trás da aparência grotesca e de sua selvageria, percebendo como a mente daquela criatura funciona e permitindo ser cativada por suas risadas e trapalhadas.

Jackson constrói suas protagonistas com cuidado, deixando que o espectador se identifique com eles e preencha os silêncios de suas vozes com pensamentos que nós mesmos teríamos diante daquela situação. Enxergar pelos olhos e atitudes de Kong possibilitam um esvaziar-se de si mesmo e revelam atitudes que palavra nenhuma poderia definir e, por consequência, limitar. Seus silêncios o tornam mais racional e humano que muitos homo sapiens que acreditam ser o centro do universo. Sua morte, dolorosa para quem a acompanhou e se sentiu cativado pela presença de espírito daquele primata.

Ps.: Já tinha visto esse filme antes, mas, revendo, me deu uma grande vontade de escrever sobre ele.